Peniche vai receber duelo entre os dois últimos campeões nacionais

Francisco Ordonhas (Crédito: Jorge Matreno/ANSurfistas)
A luta pelo título nacional da Liga MEO Surf 2026 está ao rubro, com somente 2 surfistas a chegarem à etapa de todas as decisões, que irá ter o desfecho final no Bom Petisco Peniche Pro, de 30 de outubro e 1 de novembro. Os dois últimos campeões nacionais – Ordonhas detentor do título e Ribeiro campeão em 2024 e também 2022 – chegam a Peniche para uma disputa que promete emoções fortes.

Campeão em título e detentor da licra amarela Go Chill da liderança do ranking, Francisco Ordonhas chega a Peniche com clara vantagem nesta luta, beneficiando das duas vitórias conseguidas nas duas primeiras etapas do ano. Tal como em 2025, Ordonhas apenas depende de si próprio para conquistar o título no decorrer do Bom Petisco Peniche Pro, enquanto Guilherme Ribeiro necessita sempre de vencer o evento, ficando ainda dependente da performance do adversário direto nesta luta.

Nesta mini-entrevista, falámos com o primeiro dos candidatos sobre a disputa do título nacional masculino e as expectativas para o Bom Petisco Peniche Pro, a 5.ª e última etapa da Liga MEO Surf 2026. Isto depois de Maria Salgado já ter conquistado o título nacional feminino por antecipação.

Percurso de Francisco Ordonhas na Liga MEO Surf 2026
Liga#1 Figueira da Foz – 1.º lugar
Liga#2 Porto e Matosinhos – 1.º lugar
Liga#3 Ericeira – 5.º lugar
Liga#4 Ribeira Grande – 5.º lugar

Resultado atual: 1.º classificado do ranking, com 3220 pontos

Requisito para campeão nacional: Se chegar às meias-finais (3.º lugar) é automaticamente campeão ou esperar que Guilherme Ribeiro não vença a etapa, caso seja eliminado antes das meias-finais.

ANS – Tiveste uma entrada muito forte na temporada, com dois triunfos, e partes na frente das contas para esta decisão. Sentes que essa é uma posição ideal ou partir atrás também pode ter vantagens, de forma a não seres o alvo a abater?

Francisco Ordonhas – Penso que comecei bem o ano. Tem sido o meu melhor ano na Liga MEO Surf, não só em termos de resultados, mas também do surf que tenho apresentado. Chegar à última etapa no primeiro lugar no ranking dá-me motivação, porque sinto que estou a fazer o planeado. Quero continuar a fazer o que fiz nas etapas anteriores, surfar com confiança e tentar preocupar-me mais com o que posso controlar do que com o resultado. Quero evoluir ao máximo e é esse o meu foco para a última etapa, independentemente de estar à frente ou não nas contas.

ANS – No ano passado também chegaste a Peniche na frente da disputa, mas com mais candidatos. Este ano, o facto de serem apenas dois candidatos torna a disputa mais especial?

FO – Não sinto que seja diferente. Estou muito focado em mim, embora saiba perfeitamente que o Guilherme Ribeiro também é capaz de vencer o campeonato. Mas como ele, outros surfistas da Liga MEO Surf podem vencer, porque o nível está muito alto. A partir da ronda 2 já há heats muito complicados e com vários surfistas com surf para ganhar. Dessa forma, o importante é focar em mim e não nos outros candidatos. No ano passado a última etapa não me correu muito bem, apesar de me ter sagrado campeão nacional. Acabei por conquistar o título com base no resultado de outros surfistas. O objetivo é que isso não aconteça este ano. Quero surfar bem e atacar a etapa sem medo.

ANS – Esta pausa de verão, onde estiveram mais focados no calendário internacional, acaba por ser positiva, por vos permitir mais tempo para se focarem nesta etapa final da Liga MEO Surf?

FO – Sem dúvida. Desde a última etapa da Liga MEO Surf tivemos muitos campeonatos internacionais, que puxam sempre pelo nosso nível. Ainda por cima, este ano, com a entrada dos QS6000 com surfistas de todo o mundo, o nível nos campeonatos aumentou imenso. Além disso, também fui à Indonésia, onde passei muitas horas dentro de água a surfar boas ondas e a investir no meu surf. Estas pausas são sempre boas porque podemos aproveitar para sair um pouco dos locais que surfamos diariamente, de forma a evoluirmos noutras ondas

ANS – Sendo a etapa final em Peniche, qual o pico e as condições que gostavas de ter pela frente, não só numa ótica da qualidade da onda, mas também de forma a favorecer o teu surf?

FO – As condições de sonho para todos seria apanhar três dias bons em Supertubos, o que é sempre difícil. Não é fácil porque são previsões difíceis de encontrar durante três dias seguidos. No entanto, essas seriam as condições de sonho que acabariam por favorecer qualquer surfista. Se estiverem ondas perfeitas é bom para todos. Ter oportunidade de surfar ondas perfeitas com somente mais três surfistas na água é o sonho de qualquer competidor da Liga MEO Surf.

ANS – Como analisas o teu desempenho na Liga MEO Surf até ao momento e qual consideras ter sido o ponto alto e baixo?

FO – Mesmo sem ainda ter acabado a temporada, estou muito feliz com o que consegui fazer até aqui. Especialmente, depois de começarmos na Figueira da Foz, onde senti que consegui colocar o meu melhor surf, além de ter crescido de heat para heat. Era um dos meus objetivos e não senti qualquer nervosismo nos heats. Estavam ondas boas, o que também ajudou a mostrar o meu melhor surf. Nos Açores também me senti bem, mas, infelizmente, o resultado não apareceu. O mar estava um pouco pequeno e acabei por não ter as oportunidades que queria nos quartos-de-final. No entanto, estou feliz com o surf que tenho vindo a mostrar e é isso que levo.

A Liga MEO Surf 2026 é uma organização da Associação Nacional de Surfistas, com o patrocínio do MEO, Allianz Seguros, Bom Petisco, Go Chill, Corona, Somersby, Montebelo, o parceiro de sustentabilidade Pingo Doce, Quiksilver, Move Centro Portugal, Visit Portugal, os apoios locais dos Municípios da Figueira da Foz, Porto, Matosinhos, Mafra, Ribeira Grande e de Peniche, o apoio técnico da Associação de Surf da Figueira da Foz, Associação de Desenvolvimento Mais Surf, Onda Pura, Ericeira Surf Clube, Associação Açores de Surf e Bodyboard, Peniche Surfing Clube e da Federação Portuguesa de Surf.