Foto: Ricardo Bravo

Workshop Canon por Ricardo Bravo regressa no Allianz Sintra Pro

(Inscrições em: http://www.ansurfistas.com/workshop-ricardo-bravo-by-canon/)

Os Workshop Canon por Ricardo Bravo estão de regresso ao calendário da Liga MEO Surf 2018 durante o Allianz Sintra Pro. Depois da Ericeira e do Porto, os amantes e curiosos da fotografia têm nova oportunidade de interagir e aprender com Ricardo Bravo na Praia Grande, entre 6 e 8 de Julho.

Dessa forma, aproveitámos para conversar com Ricardo Bravo, como forma de fazer um balanço dos workshops já realizados e também de perceber como estes podem servir os diferentes níveis de participantes, desde o amador até ao profissional.

ANS – Qual o balanço que fazes até ao momento, tanto em termos de participações como de feedback dos participantes?

Ricardo Bravo – Até agora tem corrido bastante bem. Em relação ao número de participantes, no Porto foram um pouco menos do que o habitual, pois costumamos esgotar as inscrições, mas, ainda assim, a adesão tem sido boa. O feedback dos participantes também tem sido ótimo. As pessoas enviam-me mensagens a dizer que gostam bastante e nos dias do workshop também sinto que as pessoas gostam muito da atividade.

ANS – Consideras esta iniciativa importante e fundamental para qualquer tipo de fotógrafo?

RB – Têm aparecido vários tipos de participantes nos workshops, tanto temos pessoas com algum tipo de experiência, como aquelas que ainda estão no início. Este workshop serve para esses dois grandes grupos, tanto para os que fotografam regularmente e aproveitam para descobrir uma nova faceta da fotografia, como para quem está mesmo a começar e, de repente, tem ali o fator curiosidade agregado. Para estes últimos, que acabam por ter alguma dificuldade com algumas questões mais técnicas, tenho sempre o cuidado deste ser um workshop que fala muito da história da fotografia de surf e em algumas questões técnicas, mas que não é muito aprofundado nesse sentido. Também porque tenho participantes com níveis técnicos muito diferentes. De forma a ser interessante para todos, tento explorar mais o lado prático, o lado da história da fotografia de surf, mostrando vários portefólios, e mostrar casos práticos muito concretos, em que mesmo as pessoas com menos conhecimento conseguem aprender. Abordamos algumas questões técnicas que são próprias e específicas da fotografia de surf e que quem não consegue apanhar logo na aula teórica, depois faço um esforço para estar mais perto deles na aula prática.

ANS – Dessa forma, os participantes menos experientes conseguem facilmente acompanhar o ritmo do workshop?

RB – Conseguem porque tive o cuidado de preparar o workshop assim e há sempre tempo para se fazerem mais perguntas, tanto na aula teórica como na prática. E tanto eu como os meus colegas da Canon, que estão lá a dar-me apoio, conseguimos responder às questões.

ANS – Já ficaste surpreendido pela qualidade de alguns dos trabalhos dos participantes?

RB – Já! Já apareceram pessoas que apresentaram portefólios bastante surpreendentes em termos de qualidade. Num dos casos nem estamos a falar de um fotógrafo profissional, mas são pessoas que dedicam muito do seu tempo livre a aprender fotografia, seja neste ou noutros workshops, e juntam a isso a criatividade que têm naturalmente, conseguindo já ter bons resultados.

ANS – Para ti quais são as principais valências para um bom fotógrafo de surf?

RB – Ajuda muito fazer surf, ou outro qualquer desporto de ondas, porque dá-nos um conhecimento do mar útil na hora de fotografar. Ajuda bastante, mas não é essencial. A quem não pratica aconselho muito verem filmes de surf ou irem, por exemplo, ao site da ANS ver imagens dos campeonatos para perceberem como o meio funciona. No fundo, as outras características são iguais às de qualquer fotógrafo comum: ter noção de cor, enquadramento, perceber a base técnica da fotografia também facilita muito a vida… Em específico do surf, está relacionado com a compreensão do mar, estar atento à meteorologia, perceber os ventos e as melhores marés para cada sítio… Mas, diria que, como qualquer tipo de fotografia, se soubermos trabalhar com luz e tivermos paciência – porque a fotografia é sempre um trabalho de paciência, embora estejamos a viver numa época em que existe a ilusão de que se consegue fotografar muito depressa – dá sempre bons resultados. No caso do surf, é também preciso chegar muito cedo à praia, pois as primeiras horas do dia e as últimas são quando a luz está mais favorável para fotografarmos.

ANS – Qual tem sido a grande motivação que encontraste para dar estes workshops e esta vertente do ensino?

RB – Acaba por ser um workshop para mim também. Há sempre pessoas que levantam questões das quais nunca me tinha lembrado. Outros que, pela dedicação que têm à fotografia, dão-me ideias das quais nunca me tinha lembrado, sobretudo em relação aos softwares que utilizamos. Sugerem coisas que até posso ensinar noutros workshops. Ensinam-me muito também e há sempre uma troca de ideias que é valiosa. E há sempre a curiosidade de ver como os outros fotografam, porque, no fundo, todos os participantes fotografam na mesma situação, nos mesmo dias e é curioso ver os resultados finais.

ANS – A Praia Grande, devido à sua paisagem, acaba por ser plus para o próximo workshop?

RB – É! Realmente em Sintra – da mesma forma que a etapa de Cascais se for feita em Carcavelos oferece uma paisagem mais urbana, igualmente interessante – há um cenário à volta da praia e da serra de Sintra que permite explorar outras possibilidades e jogar com a escala dos surfistas em relação à paisagem que os envolve. Há ali muitas possibilidades criativas. A própria praia, devido às condições meteorológicas específicas que tem, acaba por ser um desafio, porque no mesmo dia podemos ter nevoeiro e chuva pela manhã e ao final da tarde ter uma luz lindíssima. É dos tais sítios que puxa por esse lado da paciência. Falo muito disso no workshop: sabermos transformar as dificuldades em vantagens a nosso favor. Estar nevoeiro não significa que vamos deixar de fotografar. Podemos fotografar na mesma e jogar com isso em termos criativos. Por isso, Sintra é sempre um bom desafio.